CPLP. José Luís Carneiro pede novo impulso para a organização e alerta para "um dos seus momentos mais críticos"

CPLP. José Luís Carneiro pede novo impulso para a organização e alerta para "um dos seus momentos mais críticos"

No dia em que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) assinala 30 anos de existência, o secretário-geral do PS afirma que a organização atravessa uma fase particularmente delicada e defende que Portugal deve assumir um papel mais ativo no seu futuro.

João Alexandre - RTP Antena 1 / Adicionar como fonte informativa
Foto: José Pinto Dias

No dia em que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) assinala 30 anos de existência, o secretário-geral do PS afirma que a organização atravessa uma fase particularmente delicada e defende que Portugal deve assumir um papel mais ativo no seu futuro.

Em declarações à Antena 1 e à RTP África, José Luís Carneiro apelou a um "novo impulso" para a comunidade e pediu ao Governo que coloque a CPLP entre as prioridades da política externa portuguesa.

"É evidente que há muitas dificuldades, muitas limitações e também devemos assinalar que ela [a CPLP] está hoje, precisamente, a viver um dos seus momentos mais críticos. Aquilo que eu espero é que este projeto de tão grande valia estratégica possa ter um impulso que o eleve para o futuro", disse.

Segundo o antigo ministro da Administração Interna e ex-secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, a comunidade continua a desempenhar um papel importante na promoção da Língua Portuguesa, na cooperação para o desenvolvimento e na articulação política e diplomática entre os Estados-membros, mas precisa de ser renovada.

"A CPLP tem, nos seus propósitos fundamentais, a defesa e a promoção da língua e da cultura portuguesas, e uma dimensão muito relevante que tem a ver com a concertação político-diplomática nos fóruns onde nos encontramos conjuntamente representados", afirmou José Luís Carneiro, que recorda ainda que a organização tem vindo a cumprir "vários propósitos de cooperação para o desenvolvimento".

No mesmo sentido, e tendo em conta o contexto internacional e as dificuldades internas da organização, José Luís Carneiro defende que o Governo português deve reforçar o investimento político na CPLP, considerando que a comunidade representa um ativo estratégico para Portugal.

"Toda a prioridade política deve ser colocada num espaço que abre verdadeiramente uma função estratégica ao nosso país. No quadro da inserção de Portugal no mundo, esta comunidade deve ser vista como um espaço de grande prioridade política", afirmou.

Na perspetiva do secretário-geral do PS e ex-governante, o reforço da CPLP deve ser encarado como central na política externa portuguesa. Apesar das dificuldades atuais, o líder socialista entende que o percurso da organização ao longo das últimas três décadas é globalmente positivo. "Parece-me um balanço positivo, pese embora muitas dificuldades", resumiu.


Carneiro acredita em "palavra determinante" do Brasil para o futuro da CPLP

As declarações de José Luís Carneiro surgem numa altura em que a CPLP atravessa um período de incerteza institucional, após a suspensão da Guiné-Bissau, e com a liderança temporária de Timor-Leste, que assumiu a presidência interina da organização.

É neste quadro que o secretário-geral do PS admite que o Brasil poderá vir a desempenhar um papel determinante para desbloquear o processo.

"Há uma vocação de alguns países que poderá vir a criar um ambiente mais favorável para que, por exemplo, o Brasil possa ter aqui uma palavra determinante no modo como pode vir a evoluir a futura presidência", afirmou.

José Luís Carneiro diz acreditar que o Governo português está a acompanhar de perto este processo, sublinhando que a definição da futura liderança será decisiva para relançar a organização.

"Trata-se de consolidar uma fase de 30 anos, mas agora há que dar um impulso à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa para o seu futuro. O Governo português deve dar um nível de prioridade política mais acentuado à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa", defendeu.

Esta semana, em entrevista à Agência Lusa, o presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, manifestou a convicção de que a próxima presidência da CPLP deverá ser assumida pelo Brasil, numa altura em que a organização procura ultrapassar um dos momentos mais delicados da sua história recente e definir um novo rumo para a próxima década.
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